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CONFERÊNCIAS DE HACKERS NO MUNDO

Uma Amostra do H.I.P.

torqui@landslide.openix.com (traduzido por Derneval, publicado com permissão)


(fotos copiadas de http://yoda.simplenet.com/day1.html)

De todos os congressos em que fui (e estive em muitos), Hacking In
Progress foi definitivamente o mais "cool" de todos e a mais surreal conferencia
hacker já feita. Isto foi definitivamente um evento Europeu, apesar de que alguns
vieram dos EUA. A atmosfera era carnaval. Foi como uma conferencia do velho estilo
onde voce se juntava para encontrar com pessoas frente a frente, trocar ideias e 
basicamente fazer um monte.



Por volta de 2500 pessoas vieram: hackers, artists, mídia, policia... uma mistura
total de culturas e idéias.

HIP foi uma verdadeira festa de bicho-grilo. Os computadores ligados por network
estavam dispostos ao longo do camping. Nas manhãs do evento (quando eu dormia),
acordava com os passarinhos cantando e windows95 dando boot. Nas tardes eu sentava
ao lado da fogueira batendo papo enquanto o pessoal mais "hardcore" jogava DOOM e
trocava warez.


Durante o dia havia varias atividades. Uma tenda mantinha aulas sobre como abrir
fechaduras. Noutra um grupo de astronomos arranjou telescopios ligados a equipa-
mento de monitoração de dados que você poderia imprimir. Os cypherpunks tinham
sua própria tenda armada e eu me enfiava lá de vez em quando para um bate-papo e
uma bebida gelada.
foto dos computadores
Havia um link de videoconferencia com HOPE, mas deu pau e foi abandonada. Na 
marquise principal, havia palestra dentro do espectro de interesses de hackers:
segurança de computadores, as questões legais da coisa, email anônimo, criptografia,
etc.. O tempo estava literalmente fervendo e meu cérebro derretido estava encon-
trando dificuldades para concentração. A maior parte do meu tempo eu passei fora
na sombra dou na tenda, operando o bar, falando com gente individualmente em 
pequenos grupos.

Os telefones públicos misteriosamente quebraram no domingo e só podiam ser usados para discar serviços de emergência. Porêm.. se você discasse para o "disque- emergência" holandes (911- pros americanos), a pessoa conseguia um tom de discar e aí podia ligar pra qualquer parte do mundo, de graça. Supostamente isto era um "erro de programação" por parte da Companhia Holandesa de Telefones.

Workshops mais interativas também eram mantidas. Embora as palestras técnicas
fossem realmente interessantes, meu evento favorito foi a Workshop Yo-Yo
Padeluun's. Além do fato de que eu consegui manter o yo-yo, a workshop em si
foi uma "performance". Se você conhece o background vai entender o que quero
dizer, se não ... Padeluun é membro do grupo FOEBUD da Alemanha. Estas pessoas
fazem projetos realmente brilhantes e são muito engajadas politicamente. Um dos
seus projetos foi montar networks durante a guerra na antiga Yugoslávia. Eles
também trabalham para distribuir o PGP para grupos em países com regimes de
ditadura. Não é qualquer um que poderia arrumar uma workshop como essa. Esta
é a maior ironia. Quando eu cheguei lá, a coisa já tinha começado e eu vim na 
fala "yo-yo é bom para engenharia social, ninguém te acha ameaçador quando você 
brinca de yoyo". Levando em conta que o chefe da divisão de Crimes de Computador
Holandesa estava na palestra, achei isso pra lá de engraçado.

A tumba de Bill Gates

A atitude do pessoal no HIP era realmente positiva. A definição européia de 
hacking tem sido sempre mais leve que a americana. Europeus aceitam a idéia
de "social hacking". Não hackear no sentido de hackear Unix, mas no sentido de 
subverter tecnologia, seja através de uma rádio pirata, hackear smartcards,
fazer engenharia social com os federais ... ou o que quer que seja. Ao contrário
de algumas conferências em que participei nos últimos dois anos, a atmosfera do
HIP era realmente madura. Não havia jovens detonando qualquer coisa, não havia o
que inundar, nem ninguém armou os alarmes de incêndio ou aleatoriamente destruiu
algo só porque estava afim, e geralmente as pessoas que participaram tinham uma 
grande quantidade de respeito pelo evento e os organizadores. O que significa que 
ninguém que eu vi agiu como um babaca e ninguém está controlando o evento de fora.

Vendo de forma mais pessoal foi brilhante encontrar gente lá e ouvir alguns dos
projetos mais recentes que as pessoas estavam pondo em andamento. Desde a última
vez que este evento rolou (HEU, 'Hacking at the End of the Universe' mantido no
mesmo lugar em 1993), a cena hacker mudou.

Uma diferença que marcou direto é que tinha tanta mulher quanto homem lá. E dessa
vez não eram namoradas ou amigas de hackers mas mulheres que estão metendo a mão
na tecnologia e usando em vários projetos.

Felipe Rodrigues, que começou a Hack-Tic junto com Rop Gonggrip tempos atrás, no
início da cena hacker holandesa, foi sempre ativo no front politico "Para nós,
as coisas mudaram. Eles costumavam chamar a gente de criminosos e pensavam na
gente como terroristas. Agora damos conselhos para o Ministério da Justiça. Nós
somos os que conhecem a tecnologia aqui."

Rodrigez também acredita que hacking é uma ferramenta poderosa em países como
Peru ou Bolívia onde o estado é injusto e os cidadões precisam "se defender".
Esta visão o fez inpopular com serviços secretos que consideram o antigo
membro do zine Hack-Tic mais perigoso agora que eles tem poder na comunidade
financeira na Holanda. 

Embora as coisas tenham mudado desde os primeiros dias de hacking, a cena
Hacker européia pode ter amadurecido de alguma forma "a cena hacker agora
engloba bolsos de cultura. Há a mídia alternativa, a velha cultura hacker, 
os hackers de Unix, IRC, até astrônomos que estão na sua própria cultura
de computador. É para todos os tipos de pessoa, razão pela qual chamamos de
Hacking in Progress, nós progredimos".

Resumindo, HIP foi fantástico. Foi brilhante ver a maioria das pessoas que 
tenho conhecido na cena européia em um lugar e encontrar novas pessoas que
eu definitivamente manterei contato nos próximos anos. Eu estou realmente
esperando pelo próximo! Se você quer fotos e artigos, dá um look no HIP site
em http://www.hip97.nl.

BEYOND HOPE - O QUE ACONTECEU?

Bom, como todo mundo que foi nas minhas páginas deve estar cansado de saber, eu Não fui nem no Beyond Hope nem no HIP. E tô me xingando até agora por isso. Aconteceu muita porcaria de uma só vez. Desemprego, Pós e um pedido pra sair de onde eu morava. Como descobri que nenhum jornal ou revista ia bancar o papai noel e financiar minha ida em troca de uns artigos,  desisti. Houve até propostas (tipo: "você vai, faz o que tiver que fazer, na volta a gente olha  e se tiver alguma coisa que interessa, a gente paga o artigo") mas era muita complicação. Melhor economizar minha grana. Enfim, o negócio é re-escrever artigos de gente que foi lá, como o resto da imprensa costuma fazer...

A Beyond HOPE (Além do Hacking On Planet Earth - se fosse traduzir) parece ter sido um evento bem legal. Garth Brooks, (nunca ouvi falar) fez um concerto na quinta feira "gratuito e somente para hackers" no Central Park. O encontro foi feito no salão de baile do edifício Puck, que foi convertido em CPD, com trocentos terminais de computadores interligados. Tinha até uma lista de discussão, só para planejar essa coisa toda. Muita gente trouxe seus próprios micros para ligar na tomada e brincar de "break-in". Uma coisa interessante são as pequenas histórias do acontecimento. No encontro anterior, tinha havido uma tentativa do Serviço Secreto americano de "acabar com a festa". Desta vez não só não houve como os caras da 2600 ficaram impressionados de poder estacionar o furgão da revista por dois dias seguidos sem um único cartão de multa. Vai entender..

A galera que não foi no HIP tava lá, notadamente o Chris Googans, vulgo Erik Bloodaxe, da Phrack. Pela foto, o cara tá finalmente chegando aos 30 com cara de quem realmente está com 30. A última vez que o vi ele ainda conseguia passar por um carinha esperando o exame pro serviço militar. O Capt. Crunch, famoso por ser um dos que popularizaram o uso "gratuito" dos telefones públicos também estava lá, mas na qualidade de mero "ouvinte". De acordo com o próprio, tava ali pra aprender com a moçada mais jovem. Realmente. Nesse tempo atual, tudo está tão mudado que nem dá pra ficar "por dentro".

A história do cara merece um livro, me lembro dela toda vez que me chamam pra colaborar numa matéria de hacking. A revista "Esquire" fez uma matéria que hoje se tornou antológica (clássica, referência) sobre o assunto Phreaking. Acontece que.. a empresa telefônica de lá, vulgo Bell (Ma Bell para os íntimos) não curtiu muito a coisa.. curtiu menos ainda quandoCapt. Crunch o sujeito foi trabalhar na então Apple (então recentemente fundada por Steven Jobs e um colega) e inventou um jeito de conectar o tal computador na linha telefônica. Sentiu o lance? É, o cara usou o dito para fazer war dialing e esgotou o papel que a telefônica tinha planejado para registrar "coisas estranhas" em linhas telefônica. Crunch foi preso uma ou duas vezes e ficou uns dois anos na cadeia.  Virou um cara marcado a partir do momento em que seu nickname apareceu numa reportagem, simplesmente porque essa reportagem gerou uma onda de carinhas fazendo isso pelos EUA e o mundo afora. Isso sem falar que enquanto esteve preso, ensinou a fazer ligações "ilegais" para qualquer um que quisesse aprender. Assim salvou a pele, um pouco. Uma parte curiosa da história, aliás, duas. Ele ensinou o Steven Jobs e seu colega fundador da Apple a fazerem Blue Boxes. E os dois saíram por aí vendendo. Não existia lei contra isso, só contra usar. Mas, voltando ao Crunch, ele saiu da prisão, fez o primeiro editor de texto "decente" para o novo e recém lançado IBM-PC. Virou milionário de software e perdeu tudo depois, não conseguiu manter o pique. Um tempo atrás tava tão ruim de vida, só tinha o carro e mais alguma coisa. Agora parece que estabilizou.

Voltando ao lance, a cena estava nos conformes. Como era de se esperar, houve algumas coisas que "desapareceram", e apareceram alguns outros tipos interessantes, comentando coisas mais interessantes ainda, como por exemplo, uma discussão sobre como "hackear" o sistema de transporte de N.York, que além de caro, foi totalmente refeito para evitar a zona que estava antes, com uso de cartões falsificados e tudo. Enquanto alguns juravam que o novo ticket de metrô é uma espécie de versão teste para o grande irmão (o ticket já carregaria  informações que permitem rastrear os passos da pessoa pelo metrô), um sujeito com o pseudônimo de Mr. Balaklava comentava isso e que se duas pessoas usarem dois cartões, um verdadeiro e outro "clone", os dois param de funcionar quando usados. Reza a lenda que um cara conseguiu entrar no metrô, gravando um ruído campestre num 8 canais e depois usando a fita num cartão adulterado. Passou a catraca, mas foi preso. Vai saber.. os caras lá estão doidos para descobrir alguma falha nesse tipo de catraca.. aqui no Brasil, o que sei é que isso já foi tentado. Já se teve inclusive sucesso. Mas o metrô mantém fiscais para observar quem usa cartão comum ou com alguma treta. Eu já me senti observado. Se você tem algum probleminha qualquer com o ticket de metrô, imediatamente alguém vem ver o que que você tentou fazer.

Uma que rolou foi que o pessoal na conferência tinha conseguido "craquear" os computadores do HIP, lá na Holanda. Eles lá, negaram que fosse o computador principal. Tudo depende de quem acredita em quem. Lá falaram que não, aqui falaram que sim.. o link de video-conferência entre os dois deu pau. Vai saber então.. tinha um link via código morse entre os dois sites (a pessoa apertava o botão ali, acendi a lâmpada lá e vice-versa). O cara que teve essa idéia tem uma página que pode ser acessada na rede. A idéia é que comunicação não depende de grandes transferências de dados.

Como de costume, havia gente vendendo camisetas para algum fundo qualquer. Uma, interessante: Silence my voice, I will find another. Make my   voice a crime, I will create a new one."  

Phiber Optik deu uma palestra sobre um novo sistema digital de telefonia que está rolando agora no início do ano. Teoricament mais seguro. Para quem foi preso "como um símbolo para a comunidade hacker", até que ele continua "alive n' kicking".

Goldstein deu uma palestra sobre Social Engineering excelente, pelo menos é o que falam. A que eu vi na Argentina foi muuuuito legal.

artigo baseado em reportagens do N. York Times, relatos na internet e revista 2600, algumas fotos são recortes de outras fotos do evento.

idade hacker", até que ele continua "alive n' kicking".

Goldstein deu uma palestra sobre Social Engineering excelente, pelo menos é o que falam. A que eu vi na Argentina foi muuuuito legal.

artigo baseado em reportagens do N. York Times, relatos na internet e revista 2600, algumas fotos são recortes de outras fotos do evento.