Introdução (Barata Elétrica 18)

BARATA ELÉTRICA

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INTRODUÇÃO:

São Paulo, 31 de Março de 1998 (lembra alguma data?)

Demorou, mas finalmente chegou. Como de costume. Eu gostaria de poder fazer chegar mais rápido, mas atualmente, creio que os próximos números vão aparecer quando eu puder aparecer com eles. Agradeço pra caramba o pessoal que está oferecendo ajuda pra ver se edito mais rápido, mas.. não é mais uma questão de ajuda. Dividir o trabalho de editar entre várias pessoas, isso não vou fazer, com certeza. Puxa, eu estive carregando o fanzine nas costas este tempo todo e vou continuar fazendo isso. O que está rolando é que a vida não está fácil. Entrei na Pós, mas os problemas continuam. Pra começar, ainda não arrumei emprego. Houve gente que me mandou dicas, até de concurso, mas umas eu pisei na bola, outras eu fiquei com medo de aceitar e algumas eram só desculpa pra me conhecer ou ficar meu amigo, sem intenção real de emprego. Como meus horários de cursos da Pós-graduação são a tarde, está difícil encaixar um emprego. Qualquer hora, vou desistir e me concentrar na vida profissional. Infelizmente, transformar o BE em empresa está fora de questão. Estou vivendo de bicos ocasionais, tipo dar aula e fazer umas páginas html, coisa bem simples. É nessas horas que fico com inveja de outros fanzines, que investiram mais em visual do que conteúdo.
            Falando em fanzines, um monte de novos hackerzines apareceram. Muitos só tem o nome e o email do autor de coisa nova, o resto é Cntrl-C, Cntrl-V do Barata Elétrica.  Ou de outros fanzines. E é uma baixaria, pois existem aqueles que nem respeitam os direitos autorais de quem escreveu a coisa. Fazem como se fosse eles que tivessem escrito.. fantástico. Por isso é que estou colocando todas essas leis que apareceram. Ia colocar a legislação de imprensa também, mas aí o BE ia não só ficar grande demais como ia parecer o Diário Oficial.  Mas mesmo parecendo o DO, tem coisa importante. É melhor imprimir e ler.
            Que mais? Entrei numa síndrome de Zellig.  Poderia até dizer que é uma lei de Murphy que descobri, conversando com um amigo meu. É quando você lê os classificados em busca de emprego, vê que não sabe tudo o que estão pedindo e resolve aprender pra colocar no Curriculum Vitae, pra ver se pelo menos te chamam pra entrevista. Vocês não imaginam a caca que que é, aprender NT. O mais chato é que não adianta muito, não chamam. Aí cheguei na de mergulhar em Java e C++, enquanto estudava espanhol pra uma prova de proficiênica em língua estrangeira. Quase pirei, aí descobri que os caras aceitavam inglês.
             Um dia, entrei numa página de consultoria, fiquei até com a imprensão de que os caras botam anúncios no jornal, mas não é pra contratar gente. É pra saber quem foi despedido de onde. Esse onde aí pode ser uma empresa que está procurando por uma consultoria pra terceirizar seus serviços.. vai saber.. realmente é piração, mas quando penso na quantidade de currículos que mandei e não recebi resposta ou a resposta não deu em nada, fico com uma pulga atrás da orelha. Um repórter, hoje editor de revista de internet, me mandou uma oferta de "crescimento profissional", uma coluna na revista dele. Publicação até boa, sem lances anti-hacker. E o histórico do cara não é anti-hacker, também. Só que a conversa fudeu logo de cara.
              O sujeito queria discutir por telefone, mas eu não tenho a mínima paciência pra procurar gente pelo telefone. Só se puder marcar um horário e a pessoa estiver mesmo lá.  E também não queria logo de cara discutir o que ia pagar, que é a primeira coisa que eu queria saber. Lógico. Business is business. Não tô nem aí pra crescimento profissional, não tenho diploma de jornalista. Fazer uma reportagem dá grana. Projeção eu tenho com o Barata Elétrica. Até me assusta. Tinha até lance de botar foto na página. Uma coluna, em suma. Que nem um outro me ofereceu numa revista aí. Bom, desisti de contatar o cara por fone, aí quebramos o pau via email. O sujeito ficou chateado com algumas coisas, como o fato de que não queria propaganda de firewall perto da minha matéria e me achou muito neurótico com minhas preocupações. Então, eu pensei que talvez não fosse ainda o momento pra entrar nesse negócio de escrever pra revista. Ia beneficiar a revista, não a mim, pessoa física. E o momento não é pra ninguém aparecer e chamar a si próprio de hacker.  Fez bem pro ego, mas nada feito. Eu acabei tratando o  cara como gostaria de ter tratado um (*) que chamou pra fazer uma matéria pra uma NetTV. No início, cheio de elogios, depois de duas horas (em termos) conversando, veio o pedido: "dava pra você chamar um cara bem sacana, pra ilustrar melhor a matéria"? No fundo do fundo, repórter quer é isso, não adianta.
              Irritante foi conversar com um repórter do Estadão. Sabe como os caras fazem matéria de hacker? Vão primeiro ler o livro do Shimamura. Uma coisa que dá vontade de mandar o cara tomar no cú. O pior livro dos 3 que foram escritos sobre o episódio, na minha modesta opinião (Vi num sebo por 5R$ e não comprei). E dias depois não sei se foi a mesma pessoa, mandou uma matéria com a seguinte frase: "pra maioria do pessoal de segurança do Brasil, os hackers são ameaça". Subentenda-se: pra quem manja, hacker é mau. Claro. Usam o nome de hacker pra tudo que não entendem de coisa ruim que acontece. O carinha de Israel que foi preso porque ficou gabando das suas proezas pra uma revista é mau, porque não fez isso por dinheiro, nem por a mando de uma agência de espionagem, muito menos pra sacanear e dar motivo pro Pentágono pedir mais verba pra segurança. A matéria da VEJA mostrou pelo menos isso, que o cara não tinha más intenções, nem danificou nada, até ajudou.
                Aí eu me lembro de dentista.. alguém gosta de ir no dentista? Não. Sofre antes, durante e depois. Você está com um probleminha qualquer, é só ir lá, fazer o orçamento e já começa a sentir a dor. O cara faz questão de te assustar pra ver se você realmente paga ele pra fazer aquele absurdo de operação. E pior, pode até te convencer que está te fazendo um favor. "Oh, o meu dentista é bom, me avisou que aquele trincadinho no meu dente podia virar uma dor de cabeça". Não vai falar que os raios X que está tirando podem ter a prata reaproveitada, possibilitando uma renda adicional de um material que foi pago por você (e vai te convencer a ficar com eles). Algumas Agências de Segurança contra Hackers que estão aparecendo no Brasil, devem estar funcionando mais ou menos no mesmo esquema: "assusta o cara, fazendo ele ficar com medo, depois mostra a conta". Ao invés de fazer a escovação de dentes diária, vulgo prevenção, o sujeito prefere a coisa f(*) e pagar o especialista depois. O mais interessante é que com as constantes atualizações de software, o trabalho de especialistas tem que ser refeito, software novo, cadê o telefone da segurança?
                 E de qual prevenção que falo? Contratar gente capaz, dar um salário decente, investir no treinamento do pessoal, desenvolver rotinas de backup, esquecer essa coisa de terceirizar o departamento de informática ou investir somente em hardware e software. A maioria das cagadas não é feita por hackers, crackers ou vírus e sim por pessoal destreinado que formata ou não faz backups e muitas vezes, por software com defeito. Depois, não adianta ficar contratando gente só pra consertar cagadas.  Como também não adianta investir em software super-fácil e depois ficar atualizando pra ver se finalmente a impressora funciona. O funcionário mal pago vai rezar pra que um cracker apareça e destrua o trabalho que está atrasado por conta de preguiça ou falta de ânimo. Mas que que adianta falar isso.. ninguém ouve. Os caras preferem morrer a pagar cursos de informática pros seus funcionários. Preferem ir ao dentista do que escovar os dentes. E isso não é nada. Preferem ficar com medo de um invasor pela rede do que de perder equipamentos por conta de humidade, poeira, má instalação elétrica, etc, etc ..
                 Bom, pra comentar o material, tive a ótima colaboração de dois fussadores de micro. Espero que no futuro, mais gente se ofereça. A matéria do escritor de vírus poderia ter saído ainda melhor. Paciência. Quando eu escrever o meu livro, sairá melhor. A luta de um jovem pra conseguir ser piloto de provas de games, oh, inveja. Como já disse, é bom ler sobre a legislação. Evita despesas com advogados.. A seção de News está bastante razoável. Tem que estar, depois do tempo que investi nela. Quase 70 a 80% do total. Não sei porque encanei de fazer com divisórias. Brincar de html dificulta um pouco. E não acho que ficou bom. A matéria de "Engenharia Social" na Ditadura, você pode achar que é preservar uma coisa já passada. Tudo bem.
             Continue assistindo televisão, algum dia passa de novo o filme da Favela Naval. Quanto a desinformação, é melhor se ligar. Você acredita realmente que ver aquele monte de matérias na TV é informação? Jura? E porque que eu me preocupo tanto com isso se eu faço propaganda de que meu fanzine é sobre hackers? Posso estar desinformando? Pode ser. Mas hacking  pra mim e pra alguns, entre outras coisas, é ter acesso a informação. Foi isso que fez a internet ser sucesso. Um acesso barato e rápido a informação. A informação mais fácil de acessar, a do rádio e da TV pode ser a mais enganadora. Os caras não tem tempo pra analisar a notícia que estão pondo no ar. E eu tenho esperança de ensinar o pessoal a enxergar. Posso estar desviando um pouco do caminho, mas não estou perdido..

ÍNDICE:

INTRODUÇÃO
CRÉDITOS
INFORMAÇÃO E DESINFORMAÇÃO
PILOTO DE PROVAS DE GAME
ENTREVISTA COM UM AUTOR DE VÍRUS (BRASILEIRO)
ENGENHARIA SOCIAL A MODA DA DITADURA
LEGISLAÇÃO:

TEXTOS BONS, RUINS E PIADAS SOBRE A MICROSOFT
NEWS
BIBLIOGRAFIA

TEXTOS BONS, RUINS E PIADAS SOBRE A MICROSOFT
NEWS
BIBLIOGRAFIA